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quarta-feira, 27 de abril de 2011

Dedicação e persistência para alcançar o sonho da estabilidade


Jair dedicou-se e conseguiu atingir seu objetivo.
Foto: Vanessa Irizaga


 

Novos concursos aguçam a vontade de muitas pessoas em conseguir um emprego, estabilidade ou mudar de trabalho. Para passar nas provas, além do preparo, é necessário determinação.


Por Vanessa Irizaga

A estabilidade do emprego público atrai pessoas em busca dos benefícios como carteira assinada, plano de saúde, férias garantidas, entre outros aspectos que variam entre instituições ou órgãos. Dois fatores podem ser decisivos para o candidato conseguir ir bem nas provas: a preparação e a persistência. O carteiro Jair Miranda, prestou um concurso público e passou.

“Resolvi fazer incentivado por um amigo. O fator que mais me chamou a atenção é que o teste exige meu nível de escolaridade. Além disso, oferece um salário digno para realizar meus projetos de vida”, explica.
Jair estudava seis dias por semana e de três a quatro horas por dia, em média. Começou a estudar há um ano para a prova. “Estou li muito, e não procurei fazer nenhum cursinho, pois não encontrei nenhum que suprisse as necessidades do concurso”, conta.

Dicas
O ideal é se dedicar de três a seis meses para se classificar em um concurso. A escolha de uma região com menos concorrência pode facilitar o bom resultado.

Segundo a diretora da QI Concursos Criciúma, Nilsa Santos da Rocha, as pessoas se saem melhor se estudarem trocando dúvidas com outras pessoas ou com o auxílio de um professor. “Você tira dúvidas e é bom, especialmente para as pessoas que já terminaram o ensino médio para relembrarem o conteúdo. No curso, os alunos refazem as provas anteriores”, explica.

Nilsa destaca, que a leitura de revistas e jornal é importante para o candidato estar atualizado sobre os assuntos do momento. E é importante não sobrecarregar no tempo destinado ao estudo.

“O concurso é sempre realizado nos domingos e não se deve estudar na véspera. As pessoas devem descansar no dia anterior. Na prova, fazer tudo o que sabe primeiro”, frisa.

Reportagem originalmente publicada no Portal Satc.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Dia da Pessoa com Deficiência é lembrado no mundo todo


Fotos: Vanessa Irizaga

Luta dos cidadãos que possuem necessidades especiais por mais participação na sociedade ainda se faz presente, principalmente buscando a aplicação de leis específicas.

 

Por Vanessa irizaga

 

Segundo o presidente do Conselho Municipal dos Direitos das Pessoas com Deficiências, Carlos Antônio Mello, há preconceito principalmente quanto ao mercado de trabalho.


“Nós do Conselho cobramos para que as leis sejam cumpridas. Há uma lei que obriga as empresas a colocar pessoas com qualquer tipo de deficiência, cerca de 5% no quadro de funcionários. Muita gente não sabe das vagas também”, explica.

Quanto à educação, o presidente do Conselho comenta que os pais contam que os filhos já sofreram maus-tratos de colegas da classe em escolas não-especializadas em deficiências. Além disso, há a falta de estrutura física dos ambientes escolares e, por essas razões, os pais resolveram colocar os jovens em entidades como a Apae.

“Há mães que reclamaram que os filhos chegaram roxos em casa e ou foram xingados. A escola não está preparada, mas se deve cobrar do Estado, mas ele nunca vai assumir o dever que é dele. Seria importante uma integração das crianças com deficiência com as outras colegas, e os estudantes freqüentariam a Apae, por exemplo, para um reforço”, explica.

Um futuro jornalista
O acadêmico Gustavo Aléssio Duminelli sabe como é o cotidiano de alguém que possui uma necessidade especial. O rapaz de 28 anos enxerga apenas 20% da capacidade total da visão, mas hoje é totalmente independente dos pais, embora a mãe continue ‘coruja’ com o jovem.

A mãe do universitário foi atropelada durante a gestação e, mesmo com a queda, o médico que a acompanhava não solicitou exames. O rapaz nasceu com toxoplasmose, mas talvez a doença pudesse ter sido evitada se os exames fossem feitos.

Gustavo revela que hoje em dia não sofre preconceito, mas durante a infância recorda-se de um episódio onde se sentiu discriminado. “Minha professora colocava uma luz mais forte na sala para eu enxergar e algumas mães de colegas não concordavam. Eu não ligava”, conta.

Para o jovem, uma das dificuldades mais sentidas é a falta de recursos no transporte público. “Na hora de pegar um ônibus, eu não enxergo o letreiro de longe. Já perdi até condução por causa disso, porque os letreiros são pequenos”, destaca.

Duminelli está na quarta fase da faculdade de Jornalismo e diz que se interessou de fato pela profissão quando participou da cobertura de uma eleição. Na faculdade, o rapaz estuda com o auxílio de lupa e telescópio. As provas são impressas no tamanho de letra 18 e 20 para, permitindo ao jovem visualizar as palavras.

O acadêmico deseja trabalhar em uma rádio, a mídia que mais gosta. “Estou esperando uma oportunidade, ainda não estou preparado, mas estudando”, ressalta.

Deficiência e capacidade
Para o presidente do Conselho não são as pessoas que têm deficiência, mas o meio em si. “A pessoa com deficiência tem capacidade, mas o ambiente não está preparado para as necessidades que ela possui”.

O próximo passo do Conselho é analisar as referências sobre acessibilidade e igualdade da Convenção da Organização das Nações Unidas (ONU) e fazer um trabalho de conscientização para a sociedade no ano de 2011.

domingo, 14 de novembro de 2010

Amor e persistência em uma grande história entre mãe e filha


Professora luta desde a infância da caçula, uma menina especial, para que a garota tenha uma vida normal e nunca parou de procurar auxílio de profissionais especializados, mas principalmente, de dar muito amor à jovem.


Por Vanessa Irizaga

Os pais sempre querem o melhor para os filhos e estão dispostos a lutar com unhas e dentes para ajudá-los a superar os obstáculos ao longo do caminho. Muitas vezes, o amor incondicional de uma mãe pode ser maior do que qualquer limitação do corpo ou da mente.

A história da professora Elba Campos de Lima Rovaris é marcada por momentos emocionantes que se tornaram mais intensos com a chegada da carinhosa e alegre Paula, a filha de 17 anos de idade, o verdadeiro xodó da mãe, do pai e irmão.

A adolescente frequenta a Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) e recebe a educação especial que o centro oferece.  A jornada de Paula e da mãe começou quando a menina tinha apenas um ano e ainda não tinha dado os primeiros passos.

O pediatra da garota disse para Elba que a criança tinha preguiça, e por isso, não andava. A mãe começou a se preocupar porque a menina não tinha movimento nenhum e com um ano e quatro meses veio a primeira convulsão.

Busca incessante pelo bem de Paula
Nenhum médico da cidade sabia qual era o problema da criança. A jovem fez uma ressonância magnética em Joinville, mas nada foi constatado. Apenas em um hospital de Porto Alegre, a professora encontrou respostas. Uma má formação do feto durante a gestação pode ter causado a deficiência na menina. A medicação foi trocada de modo que as convulsões não acontecessem mais.

Mais tarde, Elba teve que colocar a garota em uma escola especial para garantir um bom desenvolvimento da filha. “Muitos professores não estão preparados para ensinar alunos como a Paula, e havia colegas que não queriam se enturmar com ela”, conta a docente.

Elba conta que foi a experiência com a Apae que a fez trabalhar na instituição. “Eu não sabia o que era uma Apae e quando vi as crianças excepcionais eu chorei. Eu comecei a ensinar para os alunos da instituição e amei”, destaca.

“Uma Eterna Criança”
Paula e a mãe são muito amigas e a convivência na Associação só intensifica o laço de amizade. A garota ajuda a fazer - atividade que a estudante adora – a lista de supermercado da família. A menina conhece todas as letras do alfabeto, gosta muito de escrever e já sabe redigir o próprio nome.

No dia das crianças, mesmo já sendo bem grandinha, a mãe quis presentear a filha. Paula queria uma bola para jogar com os meninos e meninas da turma. “Ela é uma moça, mas também é uma eterna criança”, elucida.

Elba nunca desistiu da caçula mesmo perante as dificuldades e afirma que tem orgulho da garota. “Já sofri muito pela rejeição das pessoas, pelo preconceito e nunca por ela ser excepcional”, ressalta.

domingo, 17 de outubro de 2010

Uma jovem estudante, uma grande vencedora


A universitária Maryele Marcolino Cardoso passou por vários momentos difíceis desde a infância, mas enfrentou as dificuldades com persistência e muita alegria de viver.
Por Vanessa Irizaga
Há muita gente que, mesmo passando por dificuldades, não perde a força de vontade e vive cada dia com a perseverança de melhorar ainda mais. Guerreiros de espírito, homens e mulheres que são verdadeiros exemplos de vida estão espalhados por todo o país e, muitas vezes, acabam levando alegria a outros do ambiente em que estudam ou trabalham.

A estudante Maryele Marcolino Cardoso é uma dessas pessoas que enfrenta os empecilhos da vida com muita força interior não deixando a alegria de lado. Mary, como é chamada pelos colegas e amigos, é uma jovem universitária de Jornalismo em busca da realização dos sonhos e da superação das próprias limitações.

A moça nasceu com um problema que dificultou a locomoção durante boa parte da infância e adolescência. A mãe de Mary havia sofrido uma queda durante a gravidez e a estudante acredita que o fato talvez tenha contribuído para o desenvolvimento da enfermidade.

Maryele tem pseudartrose na perna esquerda, doença que compromete a regeneração dos ossos nas articulações e fragiliza a estrutura. A garota ainda pequena teve que implantar a ilizarof, um aparelho de ferro na perna e passar por 11 cirurgias. “Minha mãe sempre esteve do meu lado, buscando os melhores tratamentos, que não eram fáceis, muito longos, mas sempre me dando força”, conta.

Muletas, gesso e recordações
A universitária lembra-se de momentos agradáveis de quando era pequena, mas se lembra também de um episódio em que se sentiu discriminada por um professor de educação física. O docente falou para os outros colegas afirmações sobre os portadores de necessidades especiais em geral que a deixaram magoada na época.

“Falta muita conscientização das pessoas, porque o deficiente, muitas vezes, é visto como o coitadinho e que não consegue trabalhar e nem ter uma família. As pessoas não sabem como tratar e como é a vida de um deficiente”, destaca Mary.

Como sempre esteve envolvida com questões médicas e por ser, como Mary mesma diz “muito moleca”, quando entrou finalmente na adolescência ainda brincava de boneca e nem ligava para garotos.   “O adolescente já tem aquela insegurança e ter um ‘motivo’ a mais de certa forma contribui mais ainda. Com o tempo, tu vais ganhando personalidade e essas coisas vão mudando”, afirma.

A estudante tem também Neurofibromatose, doença que provoca manchas na pele e tumores benignos ou malignos. Em fevereiro deste ano, Maryele descobriu que tinha um pequeno caroço na perna e procurou o médico, que tranqüilizou a garota.

Desafios
No entanto, quando a estudante viajou a São Paulo para continuar a avaliação médica, o outro profissional a fez desistir de uma cirurgia e remarcar o procedimento para realizar no outro estado. Mary fez a cirurgia e na biópsia foi constatado que Mary tinha um tumor maligno. E fez mais uma operação para retirar parte do câncer no dia 23 de setembro.

Agora a garota espera a resposta dos médicos, porque talvez tenha que fazer sessões de quimioterapia, mas Mary está otimista, porque há possibilidade de que só a cirurgia tenha removido o tumor maligno. Mesmo assim, a moça tem que procurar um oncologista para realizar um acompanhamento.

Atleta e blogueira
Maryele tem algumas paixões na vida. “O ano passado veio a oportunidade de fazer caratê e como eu era apaixonada por lutas, eu resolvi fazer. Me apaixonei pela filosofia e comecei a praticar. O caratê foi um grande desafio. Mas só trouxe benefícios e quero levar para toda a minha vida”, elucida. Mary também participa do grupo de handebol de cadeirantes da Satc.

A universitária quer conciliar a carreira de desportista com o trabalho de jornalismo.  “Quero um dia casar, ter filhos, mas daqui há uns dez anos. O que eu penso mais é na carreira”, ressalta.

A moça criou há um tempo o blog Palavra de Guria, onde escreve sobre experiências, livros e ainda poesias próprias. Mary pensa ainda mais longe: quer  publicar uma biografia, contando a trajetória de vida.
“Desde pequena eu gosto de escrever histórias que eu já tinha passado ou que haveria de passar, porque eu não tinha acabado o tratamento médico”. Força de vontade e determinação não vão faltar para que Maryele alcance todos os objetivos que deseja.